Mudei o caminho para o trabalho, seguindo orientação de Pablo Neruda. Quando passava por um ponto de ônibus da Maria Eleonora Pereira, entre o supermercado Epa e a loja Maschio (antiga Lazer Discos), uma mãe falava desesperada ao telefone.
Lágrimas encharcavam seus olhos. Mãos trêmulas. Outra senhora notou o desespero e ofereceu carona, mesmo sem conhecê-la. A senhora não relutou quando a mãe disse morar em São Pedro, distante uns 10 km do Jardim da Penha em que nos encontrávamos.
As duas entraram num Golf azul, cujo barulho alto do motor e modelo entregavam os mais de 15 anos do carro. E se foram. Não sei quantos anos têm o filho da mãe que supostamente foi morto, dentro da casa dela no bairro que leva o nome do santo pescador.
Quem me informou sobre a suposta morte, foi uma circundante, de mais idade que as duas. Ela parecia tá indo ou vindo de alguma hidroginástica ou de uma caminhada. Não importa.
Quando ouvi e vi o desespero da mãe, achei que fosse um assalto. Mas, a feição dela estava mais assustada que isso.
Mas o que me resta? Esperar que não veja amanhã em AT, no NA ou em AG mais uma mãe enterrando um filho?
À propósito, quantas mães ficam sem filhos e os jornais não noticiam? “A dor da gente não sai no jornal”, cantou Chico Buarque. E isso ocorre mesmo quando a desgraça é manchete.
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