segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Tudo que tinha pra dizer foi dito

Quando fico-me triste, dá vontade de escrever. Tudo em vão. Não transformo meus sentimentos em palavras, pois todas formam textos já existentes. É difícil achar caminhos para transformar a sensação em grafia. Aí tenho que copiar dos caras que fizeram.
Poderia recorrer a Shakespeare. Ou a um Mário Quintana. Se música embala corações doídos, vamos de Tom Jobim, Vinícius, Baden (só com seus acordes), Roger Waters, Lennon ou mesmo Gessinger. Chico Buarque, maldito. Este roubou todas minhas palavras antes mesmo de eu nascer. Ladrão safado, vou deixá-lo a medida do Bairro da Penha pr'algum pivete qualquer deixar seu corpo estendido no chão. Lembro do João Bosco, do Aldir e de tantos outros zés, jorges e Zecas. Todos têm seus direitos autorais. Eu tenho só os deveres, que de autorais nada têm.
Pois bem, o que faço pro meu coração explicar suas emoções, se minha mente mente pra minhas mãos em par, com dedos catando letras que saem sem a pretensão dos grandes? Não tenho coração, vai ver que é isso. Êta resíduo amargo. Vou passar os dias que se seguem, seguindo a solução insolúvel dos próprios medos e distúrbios da minha mente emocianada de razões partidas por um coração vagabundo. A pressão arterial tá boa. Espero. O que mata mesmo é a pressão, é o sentimento de perda. É a sensação de morte de alguém vivo. Muito ruim. Fazer o quê? Somos apenas rios intermitentes nesta Terra. Quando se chega ao oceano, se vai. Vou-me pela simples necessidade de cessar, pois o valor deste texto é desvalorizado pelas ações da Vale.

2 comentários:

Fulano disse...

Não sei se digo parabens pelo texto ou meus pessames pela tristeza, mas pode ter certeza que da tristeza esta nascendo um mega poeta!

Franny disse...

Coração vagabundo.. posto as traças. Sofrimento faz parte e é necessário. Passe por ele sempre aproveitando.. Depois, o alívio é tanto e a vida se abre em um novo contexto, para assim, seguir o próximo sofrimento.. e assim a vida segue, com intervalos mais curtos entre a felicidade e o sofrimento. O interessante é como lidar com todas essas levas de sentimento e se sair sempre melhor.. sempre melhor.